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Desde que o arquipélago foi pela primeira vez registrado em uma carta náutica em 1500 até os dias atuais, não foram poucos os fatos historicamente relevantes ocorridos em Fernando de Noronha. Abaixo segue um resumo dos mais importantes.

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...      Em decorrência da sua posição geográfica, o arquipélago foi uma das primeiras terras localizadas no Novo Mundo, registrada em carta náutica no ano de 1500, pelo cartógrafo espanhol Juan de La Cosa e em 1502 pelo português Alberto Cantino; sua descoberta, em 1503, é atribuida ao navegador espanhol Américo Vespúcio, participante da segunda expedição exploratória às costas brasileiras, comandada por Gonçalo Coelho e financiada pelo fidalgo português Fernão ou Fernan de Loronha, cristão novo, arrendatário de extração de Pau-Brasil.

     "O paraíso é aqui", disse Vespúcio quando abordou aquela ilha deserta em l0 de agosto de 1503, logo após o primeiro naufrágio brasileiro, quando a principal nau das seis que compunham a Segunda Expedição Exploradora foi ao fundo, perdendo-se tudo que nela havia mas salvando-se toda a sua gente. A expedição, financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, grande arrendatário de pau-brasil e comandada por Gonçalo Coelho, trazia também o legendário navegador Américo Vespúcio.

     A ele coube procurar um local que servisse para abrigar sua embarcação, carregada dos seus homens e dos náufragos que resgatara no revolto mar daquela que viria a ser chamada de FERNANDO DE NORONHA.
A carta que escreveu, e o primeiro documento relativo à ilha, fala de "infinitas águas e infinitas árvores; aves muito mansas, que vinham comer às mãos; um boníssimo porto que foi bom para toda a tripulação". Nela, está a primeira e grandiosa declaração de amor a uma terra, falando dela com emoção e ternura. Por ela, percebe-se quão belo era o espaço insular, intocado e virgem. A vida palpitava, em meio ao azul turquesa profundo, penhascos, árvores, ninhos de aves, bando de tartarugas, peixes, golfinhos...
A descoberta gerou a doação (em forma de Capitania Hereditária - a primeira do Brasil), em 1504, ao fidalgo financiador da expedição que a descobrira. Ele, no entanto, não a vem ocupar. E ela permanece abandonada ao sabor dos tantos navegadores que sulcavam os oceanos, naqueles tempos de tentativas e descobertas.
Já ai, inicia-se a predação do meio ambiente... Leva-se água, lenha para naus, ovos e tartarugas, peixes, frutas...


     Em 1556, a segunda e igualmente bela grande descrição do arquipélago‚ feita por Frei André Thevet que voltando do Rio de Janeiro, onde se havia implantado a "França Antártica" de Willegaignon. A ele caberia o primeiro registro a "animais que, no mar, saltavam fora d'água e gritavam como porcos" (por ele chamados de "marsuínos"), numa clara referência dos golfinhos que viriam a fazer o encantamento através dos tempos.

     Em 1612, novamente os franceses abordam, param e descrevem o lindo lugar de "aves mansas que vinham comer às mãos, de muitas águas e muitas árvores", feita por Frei Claude d'Abeville, companheiro de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, a caminho do Maranhão.

     Outras descrições viriam, sempre pródigas em exaltar a natureza esplendorosa daquele pequeno paradouro em meio ao Atlântico. Gente de muitos povos cobiçariam a ilha e, dentre eles, foram os holandeses os primeiros a apossarem-se dela de 1629 a 1654, um ano a mais do que o tempo passado no continente, em Pernambuco. Mesmo com lutas para expulsão, afundamento de navios, os holandeses resistiram, esconderam-se em rochedos e ficaram, gerando uma pequena ocupação, vindo a possuir um "jardim" (ou uma horta, por eles chamada de "Jardim Elizabeth") que já caracterizaria a introdução de espécies estranhas ao lugar, para melhoria da alimentação do homem, além da criação de porcos, cabras e galinhas com o mesmo fim e da construção de um reduto no alto de um morro junto ao porto, onde hoje está a Fortaleza dos Remédios. E a ela chamaram "Pavônia", pela latinização do nome daquele que a arrendou, o holandês Michiel de Pavw.
Expulsos os holandeses, a ilha permanece abandonada. A pirataria continua. Os franceses da Cia. das Índias Ocidentais preparam - cuidadosamente - a invasão e posse do arquipélago, no século seguinte (em 1736). E permanecem um ano na ilha que rebatizaram como "Isle Delphine" (numa clara referência aos golfinhos que ali viviam).
Só então Portugal percebe o quão estratégica era a localização de Fernando de Noronha. E, temendo que, sendo ela dominada, ficasse fácil a tomada da nova colônia, ordena que a Capitania de Pernambuco expulse os franceses, assuma a ilha e inicie sua colonização.

    1737. Essa é a data de tudo o que se tem hoje construído ou em ruínas. Nada é anterior... Constrói-se nela o maior sistema de defesa daquele século, com dez fortificações em 17 Km². Erguem-se dois núcleos urbanos. Em um deles - a Vila de Nossa Senhora dos Remédios - dois presídios; no outro - da Quixaba ou Sambaquixaba - um outro alojamento. E começa a funcionar o presídio comum que duraria até 1938.
Essa decisão também deflagra as intervenções que vão acontecendo no meio ambiente. Introduzem-se espécies vegetais; começam criações de cabras, bois, galinhas, patos e perus; constroem-se casas e prédios públicos, uma igreja e uma capela. E os presos passam a ser a mão-de-obra que revestiriam de pedra os acessos a todos os pontos da ilha que conduziriam nos ombros as autoridades, que fariam serviços domésticos e demais trabalhos na ilha.
O presídio comum duraria até 1938. Ao longo desse tempo muitas coisas aconteceram. Debret registra o Morro do Pico quando da passagem da missão "francesa", em 1816. Darwin descreveria o ambiente em 1832. Ingleses iniciariam a telegrafia em 1897, sub-rogando a concessão recebida ao Cabo Francês, em 1914. A primeira viagem aérea sobre o Atlântico, feito dos portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral faria, aí sua primeira parada em 1922. Italianos trariam a ITALCABLE, à partir de 1925. A Aeropostal (antecessora da Air France) aí se implantaria em 1927. O Jahu, o Argus, a esquadrilha de Ítalo Balbo e outros momentos fortes da aviação, em hidroaviões, teriam na ilha sua primeira parada. Somente em 1934 seria construída a primeira pista de pouso.
O conflito político da década de 30 levou a União a requisitar o arquipélago para implantar um Presídio Político (oficiosamente já em uso desde 1935). De 1938 a 1942, esse presídio reuniu prisioneiros de todo o país, com gente importante, inclusive. Como a II Guerra já atraía outros aliados, o Brasil se prepara para entrar na Guerra e Fernando de Noronha é transformada em base avançada de guerra. De 1942 a 1945 aí viveram os mais de três mil homens do Destacamento Misto, ao lado de uma companhia americana instalada para construir o novo aeroporto.

    De 1942 a 1988 seria o tempo de dominação militar, com a criação do TERRITÓRIO FEDERAL. Exército (até 1981), depois Aeronáutica (até 1986) e o EMFA (até 1987) ditariam as regras. Coube ao Ministério do Interior (MINTER) gerir os destinos finais daquele Território Federal. No período, interferiu-se muito no espaço urbano, modificando-se a face colonial dos núcleos iniciais e erguendo-se vilas hierarquizadas, para abrigarem as categorias militares no poder. Ainda haveria uma outra presença americana (o Posto de Observação de Teleguiados, de 1957 a 1965) e, por fim, Noronha retornaria à Pernambuco, por força da Constituinte, em 1988.

    Hoje, um Distrito Estadual, Fernando de Noronha é conduzida por um Administrador Geral, nomeado pelo Governador de Pernambuco, com o aval da Assembléia Legislativa do Estado. Parte do espaço insular foi transformado em Parque Nacional Marinho, em 1988 (cerca de 60% de todo o espaço terrestre e no mar, até onde a profundidade for de 50m - isóbata), convivendo as duas orientações - a federal e a estadual - de forma pacífica e sempre para o bem daqueles que vivem ou visitam o arquipélago. Normas rígidas de controle ambiental são seguidas, visando a proteção da natureza esplendorosa existente, evitando-se, no presente, erros cometidos no passado, cujos malefícios são evidentes até os nossos dias.

 

Resumo Cronológico da História do Arquipélago

1500 / 1736 – Período de Abandono, Ocupação Temporária e de Invasões

1500 – Aparece no Planisfério de Juan de La Cosa;

1502 – Aparece no Mapa de Cantino com a denominação de "Quaresma";

1503 – Descoberta por Américo Vespúcio, integrante da Expedição Exploratória comandada por Gonçalo Coelho;

1504 – Doada, em forma de Capitania Hereditária, ao fidalgo português Fernan (ou Fernão) de Loronha, financiador da expedição de 1503;

1505 – Resgatados os últimos náufragos da expedição de 1503, por um navio que vinha da Normandia;

1534 – Desembarque do viajante alemão Ulrich Schmidel, que permaneceu na ilha por alguns anos. Neste mesmo ano, a ilha é abordada pelos ingleses;

1556 – Abordada por franceses que vinham do Rio de Janeiro (Fr. André Thevet, companheiro de Villegaignon);

1558 – Costeada por franceses que vinham do Rio de Janeiro (Jean de Léry, também companheiro de Villegaignon);

1577 – Abordada pelo navegador inglês Francis Drake, que tentava correr o mundo;

1612 – Abordada durante 15 dias, pelos franceses que iam para o Maranhão (Fr. Claude d'Abeville, companheiro de Daniel de la Touche, Senhor de la Ravardière);

1619 – Vigiada por uma expedição portuguesa, que desembarca na Ilha e a descreve (Pedro de Castro);

1626 – Abordada por holandeses que param para se refrescar;

1629 / 1654 – Posse holandesa, sob o comando de Corlizon Jol, o "Perna de Pau";

1630 – Arrendada a Michiel de Pavow (nome: Pavônia);

1654 – Entrega da ilha após rendição holandesa em Pernambuco;

1700 – Transferida a posse da ilha para Pernambuco, que nada fez para ocupá-la;

1736 – Ocupada pelos franceses da Companhia das Índias Orientais, que nela se instalam pelo período de um ano (nome: "Isle Delphine"ou Dauphine");

1737 / 1998 – Período de Ocupação e Desenvolvimento

1737 – Expulsão dos franceses por Portugal. Inicia-se a construção de dez fortificações em todas as praias onde o desembarque pudesse ser possível. O maior dessas fortificações foi o Forte dos Remédios. Surge também a Vila dos Remédios e o costume de usar o local como colônia correcional para presos comuns e políticos;

1739 – Desterrados para Fernando de Noronha todos os "ciganos" do Brasil, tidos como "vadios";

1745 – Passagem de Juan e Ulloa (espanhóis)

1760 – Visita de um navio sueco. Relato de Ekeberg;

1816 – Passagem da missão francesa. Debret pinta o Morro do Pico;

1817 – Rebelião em Pernambuco. Fernando de Noronha perde quase tudo que havia sido erguido e todo o seu acervo retirado por João de Barros Falcão de Lacerda;

1819 – Envio de índios das aldeias de Cimbres e Escada, para a prática da agricultura na ilha;

1823 / 1827 – Administrada pelo Ministério da Guerra;

1824 – Somente neste ano, sabe-se, em Fernando de Noronha, que o Brasil já era independente de Portugal;

1832 – Passagem do cientista Charles Darwin. Descrição da ilha;

1844 – Desterrados em Noronha os revolucionários da Farroupilha;

1877 / 1891 – Administrada pelo Ministério da Justiça;

1890 – Desterrados para Fernando de Noronha todos os capoeiristas do Brasil, considerados "desordeiros";

1893 – Instalam-se os ingleses da "South American Cables Ltd";

1914 – Transfere-se a concessão dos cabos submarinos para os franceses (Cabo Submarino Francês);

1925 – Instalam-se os italianos da "Italcable" (Cabo Submarino Italiano);

1927 – Instala-se a Cie. Generale Aeropostale (antecessora da Air France);

1928 – A ilha é requisitada pelo governo Vargas para a instalação de um presídio político;

1931 – Operam em Fernando de Noronha aviões alemães e franceses, no Correio Sul;

1934 – Constrói-se a primeira pista de pouso de Fernando de Noronha, pelo Departamento de Aviação Civil – DAC;

1938 – Entrega-se a ilha à União Federal, para instalação de um presídio político;

1942 – Torna-se Território Federal, subordinado ao Exército até 1981. Instala-se em Noronha o destacamento misto, para ações da II Guerra Mundial, bem como uma base da Marinha dos E.U.A., próxima a Baía do Sueste. Constrói-se a segunda pista de pouso;

1946 – Criado na ilha um destacamento da Força Aérea Brasileira – FAB, para controle de vôos e serviços de metereologia;

1957 / 1965 – Instalam-se os americanos no Posto de Observação de Mísseis Teleguiados, próximo ao Boldró;

1981 / 1986 – Fica subordinada à Aeronáutica;

1986 / 1987 – Passa a ser subordinada ao EMFA – Estado Maior das Forças Armadas;

1987 / 1988 – Fica subordinada ao Ministério do Interior – MINTER;

1988 – Por decisão constitucional é reintegrada ao Estado de Pernambuco, tornando-se Distrito Estadual, comandado por um Administrador.

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