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Em
Fernando de Noronha, o que não faltam são fatos e estórias dos mais
pitorescos e curiosos. Reunimos nesta página algum deles. Mas no dia em
que chegar a realmente visitar a ilha, verá que os que aqui se encontram
constituem não mais que uma pequena coletânea dos incontáveis
acontecimentos que já se integraram à rica cultura noronhense.
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Charles Darwin em Noronha
Em
20 de fevereiro de 1832, antes de seguir viagem para as ilhas Gálapagos,
onde a observação de diferenças entre várias espécies de tartarugas
seria fundamental para a posterior elaboração de sua Teoria da Evolução,
o notório naturalista inglês Charles Darwin esteve em Fernando de Noronha, a bordo
do navio de pesquisas Beagle. Realizou diversos estudos no local, deixando um
valioso relato de suas observações sobre o arquipélago.
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O Tesouro do Capitão Kidd
Existe uma caverna em Fernando de Noronha chamada “Caverna do Capitão
Kidd” onde, segundo a tradição, o famoso pirata inglês teria escondido o seu
tesouro. Acostumado a saquear e pilhar embarcações que navegavam pelos
oceanos, no século XVII, o Capitão Kidd foi caçado nas proximidades de
Noronha e temendo ser capturado, teria escondido o seu tesouro em uma
caverna e jamais retornado para resgatá-lo. Gerou assim a ganância de
aventureiros que desde então procuram esta enorme
riqueza em jóias moedas e insígnias. Até hoje nenhum foi capaz de
localizar este fabuloso tesouro ou mesmo ousou descer o íngreme paredão que vai
dar na caverna onde ele estaria depositado.
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Presos Famosos
Durante o período em que em
Fernando de Noronha funcionou um presídio, primeiro comum e depois político,
muitos homens ilustres por lá passaram.
O caso mais notório foi o de
Miguel Arraes, governador de Pernambuco, enviado preso para a ilha após o
golpe militar de 1964. Em 1988, época da reintegração da ilha a
Pernambuco, por uma coincidência, era Miguel Arraes novamente o
governador deste estado, passando a comandar aquele mesmo local onde um
dia esteve na condição de um simples prisioneiro.
Para lá também foram banidos
os ciganos do Brasil em 1739 por serem considerados vadios e desordeiros e
em 1890 tiveram o mesmo destino os capoeirista, logo no inicio do período
republicano.
Por fim, preso em Noronha também
esteve o cangaceiros de Lampião Galo Branco, que cumpriu sua pena e ficou na ilha até idade avançada, tendo
constituído família e se integrado à vida dos ilhéus. |
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Fugindo do Paraíso
Alguns presidiários tentaram
fugas espetaculares do arquipélago, sendo todos resgatados ao chegarem ao
continente. As autoridades costumavam tomar precauções como exterminar o
mulungu, árvore abundante na ilha, cuja madeira era utilizada para fazer
jangadas e proibir que a pesca fosse feita com barcos, permitindo apenas o
uso de balsas para que nenhum preso tivesse a possibilidade de fugir. Os presidiários,
por sua vez, tinham muitas razões para quererem escapar. O tratamento a
eles dispensado nem sempre
era dos mais gentis, havendo relatos de torturas realizadas com a utilização
da própria natureza local, como isolar os mal disciplinados na ilha da
Rata sem comida e abrigo ou, no Sueste, colocá-los dentro de uma cavidade
cheia de água e ai deixá-los confinados por dias e dias. O relato mais
grotesco, no entanto, é o de que os presos, por vezes, eram atirados do alto do morro
onde fica a Fortaleza dos Remédios. Ao caírem na água aqueles pobres
homens eram tragados por
um fresta na rocha para nunca mais retornarem. Neste local de passado
sombrio, atualmente os turistas alegremente admiram o famoso Ronco do Leão, som
produzido justamente por aquela fresta assassina.
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Uma Fortaleza no Atlântico
Em Fernando de Noronha
foram erguidas 10 fortificações, todas estrategicamente localizadas
acima das praias onde seria possível o desembarque inimigo. Esse sistema
militar foi considerado o mais importante do século XVIII e tinha como
função defender o porto e as praias vulneráveis contra eventuais ataques
de piratas. Em 1822, quando o Brasil se torna independente de Portugal,
instala-se o Império e Dom Pedro I assume o trono. Em Fernando de Noronha
ninguém fica sabendo dessa mudança e por dois anos a bandeira portuguesa
continuou sendo hasteada na Fortaleza dos Remédios como se nada houvesse
acontecido.
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Naufrágios
Cerca
de 18 naufrágios ocorreram nas águas de Fernando de Noronha. O primeiro
foi o da Nau Capitânia da expedição de 1503 que afundou próxima às
chamadas “pedras secas”. Este foi o primeiro naufrágio a acontecer em
águas brasileiras. Após o ocorrido, Américo Vespúcio aborda a ilha com
sua embarcação e comunica a descoberta através de cartas, sendo
considerado "oficialmente" o seu descobridor. Entre os
naufrágios que se seguiram chama a atenção, o do navio grego
Eleani Stathatos que afundou na baía se Sto. Antonio em 1929, impedindo
até hoje a chegada de navios maiores a aquele local. Outro, o do navio de
guerra Ipiranga, conhecido como Corveta V17, criou um paraíso para os
mergulhadores. O local, a 63 metros de profundidade, onde esta
embarcação atualmente se encontra, é considerado um dos 10 melhores
pontos do mundo para o chamado "mergulho em naufrágio". |
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Júlio Grande
Havia em Fernando de
Noronha um homem chamado Julio Grande que vivia solitário na ilha da
Rata, muito antes que qualquer lei preservacionista proibisse o acesso às
ilhas secundárias. Ocupava parte da edificação da antiga Companhia de
Fosfato, a qual fizera experimentos com a fertilíssima terra daquela ilha. O
mar transparente e rico também se tornou seu domínio. Mergulhava a 30
metros de profundidade “no fôlego” e fazia apostas com mergulhadores experientes, das
quais quase sempre saía vencedor. Vinha à ilha principal e à casa da família
a cada 15 dias para se reabastecer e voltava para o silêncio da Rata. Um
dia, fazendo uma pequena queimada para replantio de sua lavoura, foi
denunciado às autoridades do IBAMA e proibido de para lá retornar. Daquele
dia em diante, Júlio Grande começou a morrer. |
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Air France
Há, em Fernando de Noronha,
um lugar chamado até hoje de Air France. É estranho que o nome de uma
importante companhia aérea francesa tenha se ligado à ilha. Por que isso
aconteceu? Na ponta extrema da ilha principal, diante das ilhas secundárias,
está uma região que foi ocupada em 1927 pela Compagnie Genérale
Aeropostale, de aviação francesa, que necessitava de um local de pouso em meio ao
Atlântico, onde os hidroaviões pudessem ser reabastecidos e reparados.
Em 1934, esta companhia, unida a outras três, deu origem à Air France,
passando a área a ser assim chamada. Hoje a edificação que resta está
restaurada e abriga o “Espaço Cultural Air France”, onde fica a
“Associação de Artistas e Artesãos Noronhenses”. |
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O Ronco do Leão
Os que passam de barco próximos ao morro onde
está a Fortaleza dos Remédios, assustam-se: um ronco enorme, apavorante,
acontece com bastante regularidade. Apurando os ouvidos, percebe-se de
onde ele vem: de uma fenda profunda, junto ao mar, e da violência da água
penetrando caverna adentro. É o Ronco do Leão. Um “grito”, como se
uma fera enjaulada ali estivesse, defendendo seus domínios, impedindo a
entrada de estranhos.
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Cacimba do Padre e Buraco da
Raquel
Dois importantes marcos naturais de Noronha têm
na origem de seus nomes histórias curiosas. A Cacimba do Padre recebeu
este nome devido ao Padre Francisco Adelino de Britto Dantas que descobriu
esta fonte de água doce em 1888. Próximas ao local, estão até hoje as ruínas
da casa onde ele morou. Já o Buraco da Raquel é assim chamado devido à
filha excepcional de um comandante militar da ilha, de nome Raquel, que em
crise, costumava esconder-se nessa notória pedra vazada.
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Outras Curiosidades
Francis Duechen foi o
primeiro homem a saltar de asa delta do morro do Pico, em dezembro de
1986.
Já aconteceu um casamento
no fundo do mar, na ponta da Sapata em 1991, reunindo um excêntrico casal
de mergulhadores americanos.
Quando um fato importante acontece em
Noronha, todos ficam sabendo porque os boatos correm “da Rata à
Sapata”, extremidades da ilha. Esta peculiar “rede de informações” é
chamada popularmente de “rádio sapata”.
A chamada Casa Grande
do Sueste é considerada mal assombrada pela fama de ter ali funcionado o
hospital de beribéricos(O beribéri é uma doença provocada pela
deficiência da vitamina B1).
Até meados do século XIX era proibido o envio de mulheres para a ilha, não havendo exceção
nem mesmo para o Comandante.
A origem da Vila do
“Trinta” foi o quartel 30o BC (30o Batalhão de
Caçadores). A partir da saída dos militares de Noronha em 1987 o quartel foi transformado em Centro de
Convivência.
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